quarta-feira, 23 de julho de 2008

Magical Pieces 66

Sinto o fresco da noite na pele. A madrugada cumpre o seu dever e avança, sem pressas. O silêncio é tão absoluto que se consegue ouvir. Não é um paradoxo, mas antes o que experimento. Existem noites em que o silêncio é tão grande que ele próprio adquire um som. Não sei explicar. Mas oiço-o. Ele embala-me na contemplação do firmamento. Da lua grande e brilhante. Parece tão perto, tão alcançável. Passeia um gato na rua debaixo dos meus pés. Tranquilo, senhor da noite. Talvez tenha alma de gato. Talvez isso explique a minha paixão por eles e pelo negro calmo da noite. Acho-a mágica, encantadora. Seduz-me, desde o momento em que o sol declina até ao amanhecer, cada momento com a sua poética beleza.
Sou noite. Gosto do dia, da luz, da cor, da vida. Mas a noite acena-me com o seu não-sei-quê de mistério, aquela pitada de clandestinidade, a estúpida sensação que somos donos de um mundo adormecido. E livres, como o gato que sobe o asfalto, placidamente, qual senhor que vigia as suas terras e vai por onde quer.
Sim, definitivamente sou noite. E mar, natureza, chuva, tempestade, dia frio com sol. Prosa, música, imagem, flores. Emoção, partilha, sentidos e abraços. E noite. Antes de tudo, noite.

2 comentários:

Anónimo disse...

Isto sim, é poesia em forma de prosa. Estava a reler novamente no ritmo enganadoramente lento do texto e a visualizar todo o negro da noite que revivias e pelo qual te apaixonas todas as noites. ADOREI. :D

macati disse...

tb gosto da noite... mas sou muito mais diurna... mal o sol se poe fico logo a bocejar e custa-me imenso trabalhar à noite... ui ui... mas adoro o luar e estrelas a piscar e por vezes uma cadente!!! ainda ontem vi uma... :)