
Ao contrário de muito boa gente, nunca tive medo de gatos pretos. Muito pelo contrário. Se qualquer bichano que se atravesse no meu caminho me faz perder alguns bons minutos a dar-lhe mimo, um gato preto tem o dobro do efeito em mim. Normalmente fico a contemplar longamente a sua pelagem reluzente pelo sol, os olhos faiscantes, a imponência e altivez dos seus movimentos felinos, acentuados pelo negro do corpo. Faz-me falta voltar a ter a companhia de um gato preto, que se enrosque no meu colo durante um jogo de futebol inteiro. Que se aninhe aos meus pés enquanto teclo. Tem de ser gato. E tem de ser preto. Preto e de olhos expressivos.
O felino aqui da foto é um gato vadio que dorme na minha casa e come a comida que supostamente é da minha gata. Apesar dos meus esforços, não me consigo aproximar demasiado dele. É claramente um gato que não foi socializado (sim, eles também o têm de ser). Mas deve-se sentir seguro cá em casa, que já o surpreendi em longas sonecas na varanda. Dizem que não somos nós que escolhemos os gatos. São eles que nos escolhem. E eu cada vez mais acredito nisso.