Jogo em casa. No marcador um empate a uma bola teimava fazer a história do jogo. Na bancada todos suplicavam por mais. Ninguém gosta de perder pontos e aqui essa regra não conhece excepção. Ao meu lado direito uma versão fraca e desfalcada do "Gato FeDorento". Ao meu lado esquerdo, com alguns tufos de cabelo branco a pontilhar o couro cabeludo, um senhor lidava com o nervoso bufando e passando repetidamente a mão pelo rosto.
Período de descontos. Uma bola rasa o poste. Sento-me de novo. "Bolas!", resmungo. Bem, na verdade foi mais um impropério, mas isso agora não vem ao caso...
-Ainda vamos marcar menina! - disse-me.
-Deus o oiça.
Num piscar de olhos tenho os braços do dito senhor à minha volta e somos emuldurados por uma multidão que dá azo à alegria provocada por um cabeceamento certeiro que agitou as malhas da baliza adversária.
-Eu não lhe disse menina?
-Então diga muitas vezes! - respondi-lhe.
O golo conseguido mesmo ao cair do pano, quando já muitos tinham abandonado o recinto, uniu dois desconhecidos.
E ao abandonar o estádio rumo a casa, no meio das minhas reflexões ao jogo, alheias aos que partiam no encontro dos seus meios de transporte, não pude deixar de pensar há quanto tempo não recebia um simples abraço.